Geo Ozado – JP Sofranz.
Em seus 14 anos de folia, bloco celebra a irmandade entre os estados e homenageia Serginho Marques, pioneiro da Axé Music em BH e ex-vocalista
Celebrando a união visceral entre a terra do dendê e as montanhas de Minas Gerais, o Baianas Ozadas prepara um cortejo histórico para 2026. Prestes a completar 14 anos de trajetória e reconhecido por ter transformado a identidade da folia na capital, o bloco levará para a Avenida Afonso Pena o tema “Da Bahia a Minas – Encontro Marcado”. O desfile oficial, que arrasta multidões tradicionalmente na segunda-feira de Carnaval, está confirmado para o dia 16 de fevereiro, com concentração a partir das 8h, na Av. Afonso Pena, em frente à Igreja São José.
Segundo Geo Ozado, fundador e vocalista do bloco, o tema aborda a relação de irmandade, proximidade e calor humano entre as culturas dos dois estados: a Bahia, onde ele nasceu, e Minas Gerais, estado que o acolheu. Para personificar essa união, o cortejo traz como grande homenageado o cantor Serginho Marques, figura emblemática para a música mineira e amigo pessoal do bloco.
“O Serginho morou em Salvador na juventude, entre 1986 e 1990, convivendo com grandes ícones da Axé Music no início de suas carreiras, como Daniela Mercury, Netinho e Luiz Caldas. Quando regressou para Belo Horizonte, ele foi pioneiro em cantar esse repertório em terras mineiras, muito antes do reflorescimento do nosso Carnaval de Rua. Ele, que é contemporânea e amigo de nomes como Vander Lee, Samuel Rosa e tanta gente bacana da música mineira, é um mestre para a gente e personifica toda essa verdade que o Baianas tem como um bloco que faz música baiana de forma legítima”, destaca Geo Ozado.
A homenagem a Serginho Marques ganha contornos de emoção e resistência. Há quatro anos e meio, o cantor foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma condição que limita seus movimentos. Hoje, utilizando cadeira de rodas, Serginho não apenas será o homenageado, mas também participará do cortejo.
Inspirado pela presença de Serginho, o Baianas Ozadas transformou a acessibilidade em um pilar central para o Carnaval 2026. “Estamos focando muito nessa questão. Teremos uma ala inclusiva reformulada em parceria com a APAE e estamos expandindo as ações de acessibilidade com a consultoria da especialista Isabela Xavier. Esperamos que seja uma semente não só para o nosso bloco, mas para mostrar a necessidade de que os grandes eventos populares se preocupem com essa parcela da população, para que todos possam usufruir dos espaços públicos com carinho e atenção”, afirma Geo.
Novidades musicais
Para selar o tema “Da Bahia a Minas – Encontro Marcado”, o bloco aposta em duas músicas que prometem agitar os foliões. A primeira é “Taba”, uma releitura de um clássico da Axé Music lançado originalmente em 1987 por Ricardo Chaves. A nova versão conta com a participação emocionante de Serginho Marques nos vocais, ao lado de Geo Ozado. “Fizemos um novo arranjo com naipe de sopros, algo que não existe em nenhuma outra versão, para dar essa particularidade. Essa música eu e Serginho já vimos cantando juntos no Baianas e ela traz o terreiro, a raiz da afro-baianidade ligada aos povos originários celebrando o respeito. A mensagem que o Baianas prolifera que o Baianas prolifera em BH”, explica Geo.
A segunda aposta é “Muntcha História”, uma composição que nasce da parceria entre Geo Ozado e Dani Mã, cantor e compositor soteropolitano radicado em São Paulo. A faixa é uma verdadeira celebração do trânsito cultural e afetivo que o carnaval proporciona. Com uma letra que narra a magia de quem é “escolhido” pelo lugar e evoca a proteção do tabuleiro da baiana, a obra ganha um significado especial para o vocalista. “É uma música que traduz o ‘dendê’ presente no sangue e na alma de quem vive e ama o carnaval”, destaca Geo Ozado. O lançamento será duplo e interestadual: Dani Mã desembarca em BH para cantar ao lado de Geo no trio do Baianas Ozadas na segunda-feira de Carnaval e, no dia seguinte, retribui o espaço, recebendo Geo no desfile do bloco Bahianidade, no tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo.
Tradicional ritual de fé
Antes mesmo do trio elétrico ganhar a avenida, o cortejo do Baianas Ozadas cumpre seu rito mais sagrado e tradicional: a Lavagem das Escadarias da Igreja São José. O ato, que marca o início oficial do desfile, é uma reverência direta à famosa lavagem do Bonfim, em Salvador, transportada para o coração de Belo Horizonte. Em um gesto de profundo sincretismo religioso e respeito, baianas, integrantes do bloco, se unem para lavar os degraus do templo com água de cheiro e flores, pedindo proteção e caminhos abertos para a folia. Em 2026, sob o tema “Da Bahia a Minas – Encontro Marcado”, esse momento ganha ainda mais força, simbolizando a fusão espiritual entre a fé mineira e a ancestralidade baiana, abençoando o encontro das multidões na Afonso Pena.
Sobre o Baianas Ozadas
Fundado em 2012 pelo jornalista e músico baiano Geo Ozado, o Baianas Ozadas é um dos principais responsáveis pela “baianização” e pelo renascimento do Carnaval de rua de Belo Horizonte há cerca de quase 15 anos. O que começou como uma pequena reunião de amigos vestidos de baianas para matar a saudade da folia de Salvador transformou-se em um fenômeno de massas, arrastando multidões.
Com uma identidade visual marcante, o branco das vestes tradicionais e os turbantes coloridos, o bloco se destaca pela grandiosidade e, acima de tudo, pela legitimidade musical. Seu repertório resgata a história da música afro-baiana, passeando pelo frevo, samba-reggae, ijexá e os clássicos da Axé Music, sempre com arranjos próprios e uma bateria poderosa.
Ao longo de sua trajetória, o Baianas Ozadas construiu um legado de reverência à ancestralidade, homenageando ícones como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Moraes Moreira e Dorival Caymmi, além de exaltar blocos afro históricos como Ilê Aiyê e Olodum. Mais do que um bloco de carnaval, o Baianas consolidou-se como um movimento cultural que promove a diversidade, o respeito religioso e a inclusão, tornando-se uma das marcas mais valiosas e queridas da cultura belo-horizontina. Em 2026, ao celebrar 14 anos, o bloco reafirma seu papel de protagonista na festa momesca, unindo tradição, inovação e responsabilidade social.
O cortejo do Baianas Ozadas no Carnaval de BH em 2026 é viabilizado com o patrocínio da Brahma, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e pela Icekiss.
Serviço – Baianas Ozadas no Carnaval de BH 2026
Tema: “Da Bahia a Minas – Encontro Marcado”
Data do desfile: 16 de fevereiro (Segunda-feira de Carnaval)
Concentração: 08h – Av. Afonso Pena (em frente à Igreja São José)
Desfile: 9h
Fim do cortejo: 14h
O cortejo é viabilizado com o patrocínio da Brahma, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e pela Icekiss.