Com evento no quintal Mandakanega no próximo dia 18 de outubro, lançamento resgata grafismos Adinkra gravados na arquitetura brasileira através de processo artesanal que une linóleo, aquarela e arte digital
As curvas dos portões de ferro, as grades das janelas e os desenhos que delimitam casas pelo Brasil guardam mais do que função decorativa, elas preservam vestígios de saberes africanos que resistiram à travessia do Atlântico, à violência colonial e às tentativas de apagamento das diversas culturas vindas de África para a terra de Pindorama. É a partir desse arquivo visual cotidiano que o artista Gamba Martins, em parceria com a Banto Casa Criativa, concebeu “Futuro Ancestral”, coleção de primavera/verão que será apresentada ao público no próximo dia 18 de outubro, no espaço Mandakanega, criado por Stanley Albano.
O ponto focal da pesquisa é o Sankofa, ideograma integrante do sistema de símbolos Adinkra, desenvolvido pelos povos Akan da África Ocidental, mais especificamente dos povos Akan (Gana/Costa do Marfim). Associado ao ensinamento de “voltar e buscar”, o símbolo ensina que resgatar o passado não é recuar, mas recuperar conhecimentos e experiências para orientar novos caminhos. Na coleção, esse grafismo – presente nas grades urbanas brasileiras muitas vezes sem que seu significado seja percebido por quem convive com ele – é colocado novamente em circulação, acompanhado também de estampas com retratos de uma figura matriarcal produzidos a partir da técnica de xilogravura com placa perdida, representando a ideia de que a ancestralidade é, antes de tudo, maternal..
A retomada do fazer manual e a técnica híbrida
Proposta como uma ode ao trabalho manual em um mundo orientado pela velocidade, a criação das estampas reflete a busca por textura e memória. Para construir os padrões visuais, Gamba Martins utilizou a gravura em linóleo para esculpir a matriz do grafismo Adinkra e a aquarela para dar forma a texturas e manchas orgânicas. Em seguida, a composição final passou por uma colagem digital no Photoshop, onde o artista realizou testes de cores, contraste e exposição, criando padrões ricos pela sobreposição das técnicas manuais.
As irregularidades, falhas, marcas e sobreposições deliberadamente mantidas na estampa revelam o tempo dedicado à feitura e reafirmam o valor do feito à mão na moda contemporânea.
“Essa coleção é memória convertida em matéria. É aquilo que buscamos no passado para imaginar o que ainda podemos ser. Mais do que reproduzir um símbolo ancestral, o nosso objetivo é colocá-lo novamente em circulação, no corpo das pessoas e no cotidiano”, destaca o artista Gamba Martins, que dá continuidade à sua pesquisa em arte, moda e identidade já explorada em trabalhos anteriores, como a coleção em colaboração com a marca Bendizê.
A canga como suporte de presença e movimento
O primeiro capítulo desta coleção em desenvolvimento ganha vida através da canga. Escolhida por sua versatilidade e por ser um item que acompanha o corpo em praias, casas, ruas e diferentes territórios, o item de arte e moda transforma o grafismo em presença viva. A leveza da seda begônia se une às cores da gravura e aquarela numa peça que veste, cobre, decora e circula, e, assim como o próprio conceito de Sankofa, não permanece fixa.
Este lançamento marca o início de uma família de peças conectadas por uma mesma investigação sobre ancestralidade e criação: a partir das cangas, os grafismos desenvolvidos por Gamba Martins deverão ocupar novos suportes, como bolsas, lenços, roupas e objetos.
SERVIÇO
Lançamento Coleção “Futuro Ancestral” – Gamba Martins + Banto Casa Criativa
PRÉ-VENDA: https://futuroancestral.banto.
Acompanhe: www.instagram.com/banto.cc e www.instagram.com/gamba.arte
Data: 18 de outubro de 2026, a partir das 13h até 19h
Local: Mandakanega, Rua Iguaçu, 732 – Concórdia. BH/MG
Discotecagem por DJ Princezinha da Paz e DJ Pêlas
atualizado em 16/10/2026 - 14:26
